Eletricista desaparece após fugir de hospital onde estava internado no interior de SP
25/02/2026
(Foto: Reprodução) Esposa de eletricista desaparecido após fuga de hospital fala sobre falta de informações
O eletricista Alex Rodrigo Nascimento, de 42 anos, está desaparecido desde o último sábado (21), quando fugiu do hospital que estava internado em Araras (SP). Ele estava fazendo tratamento de um quadro grave de depressão.
A família de Alex, que é de Santa Bárbara d'Oeste (SP), considera que houve negligência por parte do Hospital São Leopoldo Mandic, por não ter impedido que ele fugisse e pelo atraso na comunicação do desaparecimento. A Polícia Civil investiga o caso.
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O hospital afirmou que, ao perceber o desaparecimento de Alex, acionou protocolos de contingência, comunicou a polícia e a família, está colaborando com as autoridades e oferecendo suporte, ressaltando que todas as medidas seguiram parâmetros éticos e técnicos.
Disse ainda que segue resolução do Conselho Federal de Medicina, que "assegura ao paciente o direito de recusa à terapêutica proposta", e uma sindicância interna apura o caso de Alex. (veja abaixo o posicionamento).
Alex Rodrigo Nascimento, de 42 anos, desapareceu após fugir do hospital que estava internado, em Araras (SP), no último sábado (21)
Arquivo pessoal
Internação e desaparecimento
O eletricista foi internado na última quinta-feira (19), e sumiu por volta das 11h do sábado (21). O hospital registrou boletim de ocorrência on-line do desaparecimento às 18h56 do mesmo dia.
A família foi informada no domingo (22) que a instituição havia feito registro virtual. A esposa de Alex, Natália Rostirola Nascimento, então foi até a Delegacia de Araras para registrar o caso presencialmente.
Segundo o boletim de ocorrência, Natália relata que foi até o hospital, contatou uma médica e um enfermeiro e recebeu informações divergentes das fornecidas inicialmente pela administração do hospital ao seu cunhado.
A primeira versão do hospital à família, segundo o B.O, é de que o paciente havia sido visto pulando um muro da unidade enquanto vestida bermuda preta, camisa estampada e chinelo. Porém, um dos enfermeiros informou para Natália que ninguém tinha presenciado ele pulando o muro.
Família de Alex usa as redes sociais para buscar informações após desaparecimento em Araras, SP
Reprodução/Facebook
Ela relatou ainda que conseguiu ter acesso às imagens de uma câmera de segurança na cantina do hospital - o único local nas dependências da unidade com monitoramento - e viu o marido caminhando de uma ala em direção aos fundos, trajado de bermuda clara, camiseta preta e chinelo preto. Ele foi visto pela última vez por uma educadora física.
Ainda no B.O, Natália ressaltou que, além da ausência de câmeras de segurança e da divergência nas informações, o hospital também omitiu detalhes à família, sem esclarecer se o paciente estava medicado no momento da fuga e sem fornecer o prontuário médico.
Por fim, ela informou aos policiais que, quando permitiram seu acesso à ala em que Alex estava internado, encontrou nos fundos do setor uma grande quantidade de materiais de construção, sucatas e ferramentas, e que acha a circunstância inadequada para um local destinado a pacientes como Alex.
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'A gente contava que o hospital pudesse cuidar dele'
Eletricista desaparece após fugir de hospital onde estava internado no interior de SP
A irmã de Natália, Lorena Rostirola, contou ao g1 que o cunhado enfrentava tratamento contra a depressão desde novembro de 2025, mas sem apresentar grandes melhoras. A decisão da família em interná-lo ocorreu quando Alex passou a não querer sair de casa e não conseguir trabalhar .
Segundo Lorena, os familiares só foram informados pela unidade médica do sumiço às 14h do sábado, cerca de três horas após a fuga. Após procurarem pela cidade de Araras, conseguiram acesso a uma única filmagem que mostra Alex subindo a rua do hospital em direção a pista às 11h14. "Eles [o hospital] não sabem afirmar com certeza como ele saiu", disse.
Ela reclama do tempo levado pelo hospital para registrar a ocorrência, por se tratar de uma situação que necessitava de ajuda imediata da polícia, sendo necessário que sua irmã fosse presencialmente até a delegacia oficializar a denúncia.
A família contratou uma equipe jurídica que está auxiliando em documentações que possam ajudar a encontrar Alex. Lorena conta que a internação foi escolhida pois foi oferecida como uma boa opção para o quadro do cunhado, que teria mais recursos e avançaria no tratamento.
"Infelizmente a gente contava que o hospital pudesse cuidar dele de forma devida, mas deu condições para que o interno com depressão grave fugisse, deixando uma família totalmente desesperada e duas crianças pedindo pelo pai", lamentou.
A família está usando as redes sociais para buscar informações do paradeiro de Alex. Denúncias podem ser feitas pelo Disque-Denúncia, no 181, ou para a Polícia Militar, no 190. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública e aguarda posicionamento.
Tipos de internação
Uma psiquiatra ouvida pelo g1 explicou que a reforma psiquiátrica (Lei de 2001) encerrou o modelo de custódia eterna em manicômios, sendo o foco, agora, no cuidado e tratamento, não em detenção.
Existem três tipos de internação:
voluntária: quando o paciente aceita o tratamento. Uma vez internado, ele pode sair quando quiser. O término acontece por solicitação escrita do paciente ou por determinação do médico assistente.
involuntária: solicitada pela família com indicação médica circunstanciada, justificativa técnica detalhada, comunicação obrigatória ao Ministério Público em até 72 horas e registro formal no prontuário. Ela acontece nas seguintes situações: risco iminente de morte, risco de heteroagressividade, incapacidade grave de autocuidado, surto psicótico com perda de crítica. O término da internação involuntária acontece por solicitação escrita do familiar, ou responsável legal, ou quando estabelecido pelo especialista responsável pelo tratamento.
compulsória: determinada por decisão judicial, geralmente via Defensoria Pública, para casos de surto psicótico ou risco de morte.
No caso de Alex, a esposa afirmou que ele demonstrou desespero e resistência para permanecer no hospital no momento da despedida e, então, ela precisou autorizar a internação involuntária.
A psiquiatra explicou que um perito é quem vai determinar as condições em que ele estava no momento em que saiu do hospital e se houve algum tipo de negligência. Sobre o prontuário médico, a psiquiatra explica que é um documento pessoal e que a família não tem direito de acessá-lo diretamente para investigar o ocorrido, a menos que haja uma ordem judicial.
Hospital diz que adotou protocolos
Em nota, o Hospital São Leopoldo Mandic Araras informou que assim que o sumiço de Alex foi notado, foram adotados protocolos de contingência, com buscas internas e externas, comunicação à polícia para registro e aviso aos familiares.
O hospital disse também que está cooperando com as autoridades e oferecendo suporte à família. A nota ainda ressalta que as condutas adotadas pela instituição seguiram parâmetros éticos e técnicos.
O g1 questionou as demais alegações da família, mas a assessoria informou que a nota emitida já continha todo o posicionamento do hospital.
Após ser questionado pelo g1 sobre qual o procedimento adotado caso o paciente psiquiátrico quisesse sair do hospital sem receber alta, a institutição respondeu em nova nota nesta quarta-feira (25) que segue resolução do Conselho Federal de Medicina, que "assegura ao paciente o direito de recusa à terapêutica proposta em tratamento eletivo, de acordo com a legislação vigente, desde que trate-se de paciente maior de idade, capaz, lúcido, orientado e consciente no momento da decisão". Disse ainda que o caso de Alex é apurado em sindicância.
Veja reportagem completa do EPTV2:
Família procura homem que desapareceu depois de internação em Araras
Veja as notas na íntegra:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
O Hospital São Leopoldo Mandic, por meio de sua Diretoria Técnica, vem a público esclarecer os acontecimentos envolvendo a evasão de um paciente no último sábado, 21 de fevereiro.
O paciente foi admitido no dia 19 de fevereiro, tendo sua internação indicada após avaliação médica especializada, com laudo circunstanciado, em conformidade com a Lei nº 10.216/2001, assegurando tratamento adequado, com respeito à dignidade e observância dos requisitos legais.
No dia 21/02, o paciente evadiu da instituição. Imediatamente foram adotados os protocolos internos de contingência, com a realização de buscas internas e externas, comunicação às autoridades policiais para registro de ocorrência e pronta informação aos familiares.
Ressaltamos que o Hospital São Leopoldo Mandic está cooperando integralmente com as autoridades competentes e oferecendo suporte aos familiares. Importante reiterar que a instituição adota modelo assistencial alinhado às diretrizes da atenção psicossocial, sem caráter custodial, priorizando ambiente terapêutico humanizado e monitoramento proporcional ao risco.
As condutas adotadas observaram os parâmetros éticos e técnicos vigentes, permanecendo como prioridade a preservação da vida, a integridade física e a dignidade do paciente.
A instituição reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética médica, a segurança assistencial e a proteção integral dos direitos das pessoas com transtorno mental.
Hospital São Leopoldo Mandic
Veja a nota complementar do hospital:
O Hospital São Leopoldo Mandic, por meio de sua Diretoria Técnica, vem a público prestar esclarecimentos adicionais acerca da evasão de pacientes e sobre os protocolos adotados para situações de recusa de tratamento.
Reafirmando nosso compromisso institucional com a legalidade, a ética médica, a segurança assistencial e a proteção integral dos direitos dos pacientes, informamos que a instituição segue integralmente o previsto na Resolução do Conselho Federal de Medicina N° 2232/2019, a qual assegura ao paciente o direito de recusa à terapêutica proposta em tratamento eletivo, de acordo com a legislação vigente, desde que trate-se de paciente maior de idade, capaz, lúcido, orientado e consciente no momento da decisão.
Quanto ao caso recentemente ocorrido e noticiado, informamos que encontra-se sob apuração interna, por meio de sindicância instaurada pela instituição para esta finalidade.
REVEJA OS VÍDEOS DA EPTV:
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